Uma releitura da Ecologia Profunda - Fritjot Capra



Crise de Percepção

   A preocupação com o meio ambiente é de suma importância.
   Os problemas de nossa época não podem ser entendidos isoladamente - são sistêmicos e interdependentes
   Há uma crise de percepção por adotarmos um modelo de mundo ultrapassado.
   Atualmente o mundo é super povoado e globalmente interligado.
   Há necessidade de uma mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e valores.
   A partir do ponto de vista sistêmico, as únicas soluções viáveis são as soluções “sustentáveis”.
Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras”. Lester Brown – Worldwatch Institute

O grande desafio do nosso tempo: criar comunidades sustentáveis – isto é, ambientes sociais e culturais onde podemos satisfazer as nossas necessidades e aspirações, sem diminuir as chances das gerações futuras.


Mudança de Paradigma

   As novas concepções da física tem gerado uma profunda mudança em nossas visões de mundo; da visão de mundo mecanicista de Descartes e Newton para uma visão holística, ecológica.
   A exploração dos mundos atômicos e subatômicos colocou-nos em contato com uma realidade estranha e inesperada.
   As dramáticas mudanças de pensamento que ocorreram na física no princípio deste século têm sido amplamente discutidas por físicos e filósofos durante mais de cinquenta anos.
   Mudanças de paradigmas, de acordo com Thomas Kuhn, ocorrem sob a forma de rupturas descontínuas e revolucionárias denominadas “mudanças de paradigma”.

Paradigma antigo

- visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares
- visão do corpo humano como uma máquina
- visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência
- crença no progresso material ilimitado
- crença numa sociedade em que a mulher é classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza

   Está ocorrendo uma revisão radical dessas suposições.

Ecologia Profunda

   O novo paradigma consiste numa visão de mundo holística, concebendo o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas.
   Pode ser denominado visão ecológica, sendo o termo “ecológica” empregado num sentido muito mais amplo e profundo que o usual.
   A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos. Indivíduos e sociedade encaixados nos processos cíclicos da natureza (somos dependentes desses processos).
   O termo “ecológico” - associado com uma escola filosófica específica, um movimento popular global, conhecido como “ecologia profunda”, que está, rapidamente, adquirindo proeminência.
   A escola filosófica foi fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess, no início da década de 70, com sua distinção entre “ecologia rasa” e “ecologia profunda”.
   A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de “uso”, à natureza.
   A ecologia profunda não separa seres humanos – ou qualquer outra coisa – do meio ambiente natural. É consistente com a chamada filosofia perene das tradições espirituais, quer falemos dos místicos cristãos, budistas, ou da filosofia e cosmologia subjacentes às tradições nativas norte-americanas.
   Eventualmente, não precisaremos nos desfazer de tudo, mas antes de sabermos disso, devemos estar dispostos a questionar tudo.


Novos valores

   A mudança de paradigmas requer uma expansão não apenas de nossas percepções e maneiras de pensar, mas também de nossos valores.
   Se olharmos para a nossa cultura industrial ocidental, veremos que enfatizamos em excesso as tendências autoafirmativas e negligenciamos as integrativas.

PENSAMENTO
Autoafirmativo -> Racional, Análise, Reducionista, Linear
Integrativo -> Intuitivo, Síntese, Holístico, Não-linear

VALORES
Autoafirmativo -> Expansão, Competição, Quantidade, Dominação.
Integrativo -> Conservação, Cooperação, Qualidade, Parceria

Competição, expansão, dominação – estão geralmente associados com homens.

   Nossas estruturas políticas, militares e corporativas são hierarquicamente ordenadas, com os homens geralmente ocupando os níveis superiores, e as mulheres os níveis inferiores.
   Há um outro tipo de poder, um poder que é mais apropriado para o novo paradigma – poder com influência de outros. A estrutura ideal para exercer esse tipo de poder, não é a hierarquia, mas a rede.


Ética

   A ecologia profunda está alicerçada em valores ecocêntricos (centralizados na Terra).
   Todos os seres vivos são membros de comunidades ecológicas ligadas umas às outras numa rede de interdependência. Com essa percepção ecológica profunda, emerge um sistema ético radicalmente novo.
   Com a iminente destruição do mundo, parece da máxima urgência introduzir padrões “ecoéticos” na ciência. Natureza e o eu são um só.
   Mudança da Física para as Ciências da Vida
   No velho paradigma, a física foi o modelo e a fonte de metáfora para todas as outras ciências.
   Descartes escreveu: “Toda filosofia é como uma árvore. As raízes são a metafísica, o tronco é a física e os ramos são todas as outras ciências”. A ecologia profunda superou essa metáfora cartesiana.
   A física perdeu o seu papel como a ciência que fornece a descrição mais fundamental da realidade.
   Hoje, a mudança de paradigma na ciência, em seu nível mais profundo, implica uma mudança da física para as ciências da vida.

*Adaptação do texto Ecologia Profunda de Frijtof Capra feita pelos alunos de graduação em Naturologia: Bárbara Salgueiro Vizioli, Maria Joana Bernadou, Patrícia Minervino Pacheco, Ricardo de Almeida Marchori, Ricardo Silva Rebelo, Thais Riboli Faustino e Valter Felipe Nunes do Nascimento.- No primeiro ano de curso - Universidade Anhembi Morumbi em 2012.

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