Olha a Cândida.. Olha a Cândida... Candidíase? Vamos tratar!

   A estimativa é que 7 em cada 10 mulheres conheçam a candidíase vulvovaginal (CVV) na própria pele em algum momento da vida, 5 delas irão ter mais de um episódio e 1 viverá com episódios recorrentes. E esses números vem crescendo assustadoramente ao longo do passar dos anos.

Mas o que é a candidíase vulvovaginal? 

   A candidíase vulvovaginal é uma vaginite causada pelo fungo candida albicans (embora outras espécies não-albicans estejam se tornando mais comuns no diagnóstico, tal como C. glabrata, C. tropicalis e C. guilhermondi)
   Esse fungo faz parte naturalmente de nossa microbiota, presente em todos os seres humanos (homens e mulheres). A doença acontece quando há um aumento anormal dos fungos na região íntima da mulher, não sendo considerada uma doença sexualmente transmissível (DST)

Como ela se manifesta?

Sintomas característicos dessa patologia são:
  • Inchaço da vulva e do canal vaginal
  • Coceira na vulva e no canal vaginal
  • Eritema (vermelhidão) vulvovaginal
  • Corrimento branco, em grumos, lembrando nata de leite. 
  • Dor durante à relação sexual
  • Desconforto/dor ao urinar 
  • Também podem ocorrer erupções na pele, levando à pequenos sangramentos

Quais são os fatores de risco?

   A candidíase vulvovaginal é uma patologia multifatorial, não existe apenas uma causa para seu aparecimento e sim um conjunto de fatores que proporcionam o aumento anormal dos fungos levando aos sintomas, fatores que são:

Hormonais:
   Gravidez, uso de medicamentos hormonais como anticoncepcionais e corticóides, período pré-ovulatório do ciclo menstrual onde há o pico de estradiol.
   Na literatura é citado que mulheres com o ciclo menstrual regular também são mais propensas do que as com o ciclo irregular. E nos grupos de mulheres temos o feedback que a interrupção do uso do anticoncepcional trouxe à candidíase como um dos grandes efeitos rebotes que costumam acometer as mulheres.

Antibióticos:
   O uso de antibióticos sistêmicos e/ou tópicos aumenta o risco do crescimento de fungos, uma vez que destrói a microbiota bacteriana natural da região, deixando-a livre de competição por nutrientes para os fungos se proliferarem.

Roupas apertadas e sintéticas:
   Os fungos crescem em regiões úmidas e quentes, é o ambiente perfeito para eles se desenvolverem, por isso roupas íntimas apertadas e sintéticas, tal como uso de calças apertadas e de tecido grosso (jeans skinny, etc) dificultam o arejamento da região e favorecem o crescimento dos fungos. E se o ambiente externo também for quente e úmido, aumenta mais ainda o risco. Ex.: verão, estar dentro do ônibus lotado por muito tempo com o sol à pino, costumam piorar essa situação.



Absorvente Descartáveis: 
   Os absorventes, principalmente de uso interno, favorecem o crescimento dos fungos, uma vez que retém em seu interior a umidade e fluídos, nutritivos para esses microorganismos. Não respeitar o tempo de troca dos absorventes também é um fator de risco. Protetores diários caem no mesmo quesito das roupas apertadas, não deixam a região "respirar" e contribuem para umidade e calor, ambiente mais que favorável para os fungos.
  Na literatura não consta que o copo coletor menstrual (copo de silicone para uso interno) seja um fator de risco e pela experiência das mulheres que fazem parte do grupo Sagrado Feminino e Ecologia Feminina é de conhecimento popular que o copo coletor contribui para evitar o aparecimento da doença, coincidindo com a proposta dos criadores do copo menstrual.

Alimentação:
   Os fungos adoram o ambiente de pH ácido e se os alimentos ingeridos favorecem que o pH do corpo se torne mais ácido (abaixo de 7), os fungos vão gostar. Alimentos açucarados, refrigerantes, bebidas alcoólicas, frituras são exatamente o que os fungos da cândida querem para instalar o caos na sua vagina e na sua vida.

Imunidade:
   A baixa na imunidade tem sido um dos grandes fatores que traz os sintomas da candidíase à tona. Ela está ligada indiretamente a muitos dos fatores citados acima: certos níveis hormonais favorecem a baixa imunidade, uso de antibióticos e a alimentação inadequada e insuficiente, também. Como a candidíase é uma doença oportunista, sempre que as defesas do corpo estiverem baixas ela tende a vir à tona.

Higiene:
   Higiene anal feita no sentido do ânus para a vagina é um fator de risco, tal como a presença de fezes na calcinha, e até mesmo o sexo anal seguido de sexo vaginal sem a devida higienização do pênis/vibrador/objeto/dedos, pois transfere os microrganismos de uma região em que eles podem viver naturalmente para outra em que eles podem causar problemas.
   Outro cuidado também é no outro extremo: excesso de higiene, uma vez que os sabonetes íntimos influenciam no pH da região e alteram a microbiota natural. Sabonete íntimo, na prática, não foi feito para ser usado todos os dias.

Emocional/Psicológico:
   Muitas doenças no sistema genito-unitário podem estar relacionadas pela psicossomática com dois aspectos emocionais: segurança e energia criativa. Uma pessoa que não se sente segura em algum aspecto da vida (trabalho, relacionamento, família, etc) pode manifestar a insegurança através da não defesa do próprio corpo, pois o corpo passa a entender que nele também não há proteção e segurança, se torna vulnerável às doenças oportunistas como o caso da candidíase. Outro aspecto é o da energia criativa/energia sexual. Muitas vezes a mulher tem desejos, ideais, vontades, etc e  não consegue dar vazão a essa energia, muitas vezes se sente frustrada em relacionamentos amorosos, insatisfeita sexualmente e reprimida. O corpo novamente tenta manifestar essa estagnação através de um bloqueio físico, afinal com candidíase há motivos reais para não se fazer o sexo porque há dor, uma ilustração apenas de que mesmo sem candidíase, as coisas não iam bem, mas com a candidíase há os motivos para encarar sim esse aspecto que não vai bem. O aspecto emocional/psicológico deve ser investigado a fundo no caso de candidíase recorrente. 


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Parte II - Cuidado multialvo para candidíase crônica
Parte III -  Cuidado multialvo para candidíase aguda + Referências




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