É parte da cura o desejo de ser curado

   Em minha breve experiência como profissional de saúde e com o saber de que a saúde vai muito além da ausência de enfermidade, questiono os seguintes pontos: efeito placebo, imediatismo, crença de que um remédio pode ser milagroso a ponto de curar qualquer coisa.


   Hoje eu sei que não existe uma causa para que a saúde seja comprometida ou inclusive que uma enfermidade tome conta do corpo físico. Ninguém adquire um câncer do dia para a noite, isso é efeito de sutis acontecimentos ao longo da vida, maus hábitos, maus pensamentos, etc. - silenciosos mas poderosos.
   Ninguém fica com insônia crônica porque tomou café, ficam por maus hábitos, maus pensamentos, problemas cotidianos que não conseguem resolver, ansiedade e mais N fatores juntos que contribuem para isso. 
   Ninguém pega uma infecção só porque esteve em contato com um agente infeccioso, pegam infecção porque as defesas do corpo não estavam fortes o suficiente e novamente devido a muitos fatores, físicos, emocionais, sutis, mentais e socioambientais.

   Nos dias atuais sabemos muito bem trabalhar com aquilo que é objetivo. 2 + 2 = 4. Mas será que podemos usar dessa teoria no campo da saúde humana? Um campo de saber tão complexo e tão relativo. 

   Me deparo com o seguinte: o efeito placebo. Em muitos casos o medicamento com princípio ativo de fato tem atuação no corpo físico, mas o grupo do "placebo" também teve bons resultados. O que seria isso? O que é esse tal do efeito placebo? E algum deles pode ser desmerecido no processo de cura? 

   O efeito placebo tem sido muito incompreendido nos dias de hoje mas no geral ele nos remete a ideia de que podemos, essencialmente, nos curar de doenças simplesmente porque acreditamos que estamos sendo curados. 

   Acreditar em algo é ter fé. Então a fé cura, como também pode adoecer, como é o caso do oposto do placebo - o nocebo, pois nossos pensamentos estão intrinsecamente ligados à nossas emoções, e nossas emoções exercem uma enorme influência no aspecto: saúde. 


   Mas novamente acredito que dicotomia no campo de saúde não serve nem para averiguar a falta de saúde muito menos para restaurá-la. 
   Se a ausência de saúde não é conquistada por apenas um fator. A cura também não depende de um fator, seja ele um medicamento, seja fé, seja disposição, seja um bom hábito... Pontualmente pode-se reprimir sintomas incômodos com algum dos fatores, mas se não há um trabalho mais profundo nos padrões silenciosos, eles irão continuar nos direcionando para a falta de saúde.

   O grande "tchan" está nos processos e conjunto de fatores. E a base disso é a própria citação do filósofo romano: "É parte da cura o desejo de ser curado". Não desmerecendo as técnicas das mais diversas áreas da saúde, elas também são fundamentais para determinados momentos, porém despertar para outros conceitos, ver a vida e situações de uma outra perspectiva, e ver claramente. Aceitando e tomando responsabilidade do que já aconteceu, aceitando as possibilidades e as incapacidades, integrando à vida em geral. Eu diria que essa é a essência do negócio, mas como pontuei: está nos processos. Saúde é um caminho, um caminho que se desenvolve em busca de autoconhecimento e realização de propósitos de vida.

E você está aberto aos processos? 








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