Aromaterapia para Leigos

   A palavra aromaterapia já é bem conhecida pela maioria da população nos dias de hoje. Conhecemos pelas promoções de lojas de cosméticos: difusores de aromas, sabonetes, "cheirinhos" em geral. O mercado constantemente tenta nos vender a idéia de que tudo que cheira bem é aromaterapia, mas isso é um engano e com esse post eu explico o que de fato é aromaterapia e o que ela pode fazer pela sua saúde.


O que é a Aromaterapia?

É um ramo da fitoterapia que consiste na utilização de óleos essenciais para restaurar, manter e promover a saúde do ser humano.

O que são os Óleos Essenciais?

 Ele é o resultado da extração/destilação de partes (flores, folhas, caules, raízes, resinas...) de uma planta aromática, contém substâncias químicas que promovem efeito terapêutico nos campos físico, psíquicos e sutis do ser humano. Vale ressaltar que o óleo essencial não é o mesmo que "essência". Essências são produtos sintéticos que tem por finalidade imitar odores e  não tem propriedade terapêutica. Outra grande diferença é o preço. Nos óleos essenciais temos óleos de R$20 à R$1.000 dependendo da planta e método de extração. Já nas essências o preço dificilmente ultrapassa R$15. Essa diferença de preço se dá devido aos custos de produção, extração, tempo e esforço envolvidos.

Qualquer profissional pode recomendar a aromaterapia?

   É necessário que o profissional possua estudo especializado no ramo da saúde e na aromaterapia, uma vez que trabalhamos com substâncias químicas (como qualquer medicamento) e se não utilizado de forma séria e cautelosa pode trazer riscos à saúde. Um bom profissional irá indicar qual óleo serve para cada paciente, forma de uso, etc.

Há contra-indicações no uso da Aromaterapia?

  Sim, uma vez que trabalhamos com óleos essências que contém substâncias químicas que alteram a fisiologia do corpo, sem contar os efeitos psíquicos/sutis.
  Há determinados óleos que são contra-indicados para determinadas pessoas. Por isso se faz necessário a realização de uma anamnese e acompanhamento com um profissional sério.

O que o uso inadequado da Aromaterapia pode provocar?

  Como qualquer medicamento, se usado de forma irregular, sem respeitar contra indicações e dosagem pode ter desde alergias, alteração da pressão arterial até problemas mais graves como intoxicação, sobrecarga de fígado e rins, alterações no sistema nervoso, entre outros, podendo levar o paciente a internação ou inclusive à óbito dependendo da gravidade. Por isso é recomendado sempre o acompanhamento de um profissional adequado.

De onde surgiu a Aromaterapia?

   Os extratos aromáticos das plantas são utilizados para restaurar a saúde há milhares de anos, a referência mais antiga que temos é do livro chinês "O Pen Tsao" de Cheng Nang, data aproximadamente 2.800 anos antes de Cristo. Os conhecimentos seguiram pelos egípcios, gregos, romanos, etc. Chegando a passar por renomados contribuintes da área da saúde como: Hipócrates, o pai da medicina; Teofrasto, que escreveu o primeiro tratado sobre odores; Galeno, médico de vários imperadores romanos; Paracelso, médico, cirurgião e alquimista do século XVI; Avicena, famoso médico árabe que aprimorou o método de destilação, entre outros.
  Na modernidade tivemos a contribuição do Dr. René-Maurice Gattefossé, um químico francês. Ele quem criou o termo aromathérapie em 1910, quando ao queimar as mãos e mergulhá-las em um recipiente contendo óleo essencial de lavanda, descobriu que a dor nas mãos diminuíra e o processo de cura/cicatrização deu-se rapidamente. A partir dessa experiência tivemos muitos experimentos com os óleos essenciais e maior interesse científico em seu potencial de cura.


De que forma se utiliza os óleos essenciais e como eles agem no corpo?

 Os óleos penetram no nosso corpo através de três formas:

  Inalação - as moléculas odoríferas são detectadas nas fossas nasais por células nervosas que enviam impulsos elétricos para o cérebro, no cérebro, essa informação vai direto para o sistema límbico, sem que o córtex cerebral as registre primeiro, em outras palavras o nosso subconsciente responde à essa informação antes de nos tornarmos conscientes. Por isso afetam tanto a atividade mental e emocional. Outra parte dessas moléculas vão direto para os pulmões e são absorvidas pela corrente sanguínea enquanto ocorre a troca gasosa. As moléculas na corrente sanguínea seguem o mesmo processo de qualquer medicamento, e é quando vemos alguns efeitos fisiológicos de acordo com a propriedade terapêutica do óleo.
Modos de utilizar: difusor de aromas, vela aromática, sachês, spray de ambientes, colar aromático, inalação direta ou com a auxílio de um papel, lenço ou algodão.

  Via Cutânea - Na via cutânea temos as mesmas respostas da inalação com a diferença que a absorção do óleo na pele se dá em maior quantidade se comparada a inalação. Quando o óleo atravessa a epiderme, ele encontra vasos sanguíneos e vasos linfáticos, uma parte das moléculas é absorvida por esse sistema circulatório e se desloca rapidamente pelo corpo. Os óleos são lipossolúveis e atravessam a barreira sangue-cérebro com facilidade.
 Na via cutânea há de se tomar precauções, pois a maioria dos óleos essenciais não pode ser aplicada diretamente na pele, eles tem de ser diluídos previamente em óleos carreadores (óleos vegetais), e alguns óleos são contraindicados para uso cutâneo.
Modo de utilizar: massagens, esfoliação, loções hidratantes, shampoo, tônicos, cosméticos em geral, diluídos em sabonete líquido para banhos (banheira, ofurô, etc), perfume pessoal (roll-on)

  Via Oral - Esse método é usado em outros países, no entanto apresenta muitos riscos à saúde por não se ter grandes estudos de qual seria a dosagem correta e profissionais capacitados para essa prática. No Brasil a ingestão de óleos essenciais não é permitida, embora muitos profissionais utilizem de má conduta ou mesmo a própria ignorância, recomendando a ingestão de óleos essenciais como o uso do mesmo em receitas alimentares. O risco de intoxicação e reações adversas é enorme, uma vez que a absorção de algumas gotas de óleo através da inalação ou via cutânea é mínima (se comparada a ingestão) e mesmo assim produz grandes efeitos.

Sobre terroir e qualidade dos óleos essenciais 

 O termo terroir é frequentemente utilizado na indústria do vinho, resume o efeito das condições de crescimento das plantas e por conseguinte o óleo essencial que se produz. Nessas condições estão envolvidos o tipo e qualidade do solo, a localização dessa plantação (incidência do sol, altitude), condições atmosféricas (chuvas, ventos, neve, etc) como também a relação dos produtores com a plantação.
  É correto afirmar que uma plantação de lavanda próxima à um aterro sanitário, uma usina nuclear, cujo produtor pulveriza diversos agrotóxicos para controlar doenças e melhorar a produtividade da colheita será completamente diferente e de menor qualidade que uma plantação onde há um ar mais puro, sem poluição e uso de agrotóxicos, tal como o cuidado e dedicação dos trabalhadores, visando qualidade e não quantidade.
   Infelizmente temos no mercado muitos produtos de baixa qualidade e dependendo da procedência, os óleos essenciais podem causar mais danos que benefícios, como também temos que nos acautelar com as adulterações.
  Alguns comerciantes que visam o lucro e oferta de preços mais baixos acabam adicionando produtos sintéticos, fazendo diluições em álcool ou outra base alcoólica como também substituem total ou parcialmente o óleo essencial por outro óleo mais barato equivalente. Como no caso o óleo de rosas que constantemente é substituído por óleo de gerânio e da lavanda em que é adicionado o lavandin.
   Para garantir que o óleo que você compra seja puro e tenha o efeito terapêutico desejado é importante adquirir produtos de marcas/fornecedores/produtores bem conceituados e que façam seus próprios testes de controle de qualidade. Na dúvida peça sugestões do profissional que lhe atende.

Se você tiver mais alguma dúvida, deixe um comentário e irei responder assim que possível.

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